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Toda semana, de terça a sexta.

Caixa, sócios e sucessão, nas empresas de quem assina. Os mesmos posts do LinkedIn, completos, com a imagem ou o carrossel, e a versão em inglês.

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30/10/2026

Ata nº 047/2026

Ata nº 047/2026.

Transcrição da imagem publicada:

ATA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DE SÓCIOS Nº 047/2026. VOCÊ SE RECONHECE NESSA ATA LTDA.

Aos dezesseis dias do mês de setembro de dois mil e vinte e seis, às oito horas e trinta minutos, na sede da sociedade, reuniram-se os sócios Antônio Fica Para a Próxima, sócio-administrador, e Luís Mais Uma Vez Essa Pauta, sócio, com a presença do diretor financeiro e do contador da sociedade, na qualidade de convidados, para deliberar sobre a seguinte ordem do dia:

1. Resultado de agosto. Apresentado pelo diretor financeiro. Faturamento acima do previsto. Margem abaixo do previsto. Sem deliberação.

2. Aquisição de caminhão para a filial. Aprovada por unanimidade. Prazo de 30 dias para cotação e compra.

3. Sucessão na administração da sociedade. Em razão do adiantado da hora, o sócio-administrador propôs que o tema seja tratado na próxima reunião. Aprovado. Item adiado.

4. Renovação da linha de capital de giro. Aprovada. Autorizada a assinatura do Aditivo nº 9.

Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião às dez horas e quinze minutos, lavrando-se a presente ata, que, lida e aprovada, vai assinada pelos presentes.

Item 3 consta igualmente das atas de 14/03/2024, 12/06/2024, 18/09/2024, 11/12/2024, 19/03/2025, 25/06/2025, 17/09/2025, 10/12/2025, 11/03/2026 e 17/06/2026, todas encerradas em razão do adiantado da hora. A hora continua adiantada.

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29/10/2026

O risco é muito alto

Já quis apostar em algo e a conversa terminou numa frase: "o risco é muito alto."

Era verdade. A tecnologia ainda não estava pronta, o conceito era abstrato e não havia como medir o risco. Ninguém comprou a aposta.

Hoje o que era abstrato está funcionando, e a mesma aposta teria se pago.

Não conto isso porque acertei. Acertar depois que a conta fecha é fácil, e quem recusou não estava errado em ter medo.

O problema foi outro: a frase encerrou a conversa. "O risco é alto" respondeu se a aposta valia inteira, quando a pergunta útil era qual o menor tamanho dela que deixa aprender sem quebrar.

Esperar também é apostar, só que sem número e sem dono.

Em empresa de dono, a mesma frase trava expansão, sucessor e sócio novo. E costuma travar tudo de uma vez, quando dava para decidir em partes.

É nesse ponto que trabalho com o dono: separo o que dá para testar pequeno do que precisa esperar, e devolvo a decisão com nome e data.

Qual aposta da sua empresa está parada inteira, quando dava para começar pequena?

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28/10/2026

Dois decisores na mesma sala formam uma fila

Dois decisores na mesma sala não formam uma sociedade. Formam uma fila.

Vi isso num diagnóstico em uma empresa familiar. Fundador no comando, filho dentro da operação há anos, sem espaço para mudar nada. De fora, parecia conflito de família: pai e filho que não se entendem.

Não era. Era autoridade sobreposta. Duas pessoas com poder de decidir sobre a mesma coisa, no mesmo espaço, ao mesmo tempo. Nesse arranjo nenhum acordo se sustenta, porque toda decisão de um desautoriza o outro.

O que resolve não é terapia nem reunião de alinhamento. É separar as arenas: cada um dono de uma frente, os dois decidindo juntos só no que é de fato comum, produto, preço e expansão.

O fundador implantou sozinho, do jeito dele, em cerca de um ano. Funciona até hoje.

Empresa familiar forte não é a que evita o conflito. É a que cria estrutura para decidir apesar dele.

Se na sua empresa há duas pessoas que podem dizer sim à mesma coisa, conte quantas decisões estão esperando que uma delas desista.

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27/10/2026

Depois da eleição a gente decide

A frase que ouvi muito este ano, em mesa de dono:

"depois da eleição a gente decide."

A eleição acabou no domingo.

Seja qual for o seu voto, a fila de decisões da sua empresa continua exatamente onde estava.

O investimento que ficou na gaveta.
A conversa com o sócio que ninguém marcou.
O sucessor que espera uma data há anos.
A linha de crédito renovada mais uma vez para não mexer na estrutura.

Nenhuma dessas decisões dependia de Brasília. Dependiam de um álibi, e o álibi acabou.

A incerteza não acabou. Juros, câmbio e regra fiscal vão continuar se mexendo, como sempre se mexeram. O que acabou foi a desculpa para esperar por eles.

Tenho visto de dentro: quem atravessa bem um ciclo político não é quem acertou o resultado. É quem decidiu o que estava na própria mão enquanto os outros esperavam.

O domingo definiu o governo. O que a sua empresa faz em 2027 se define na sua mesa.

Decisão adiada não é prudência. É custo acumulado.

Meu trabalho começa nessa fila: sentar com o dono, pôr número em cada mês de espera e devolver as decisões com nome e data.

Qual decisão você empurrou para depois de domingo?

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23/10/2026

A decisão que todo mundo já sabe que você está adiando

Passei as últimas semanas mais em mesa de dono do que aqui.

Quase toda conversa começa em dinheiro. Caixa curto, banco apertando, sócio que quer sair, filho que quer entrar.

Quase nenhuma termina em dinheiro.

Termina numa decisão que está parada há meses. Todo mundo na empresa sabe qual é. O dono também sabe. O que falta não é informação. É alguém de fora, sem cadeira a perder, dizendo quanto custa cada mês que ela continua parada.

Esse é o trabalho. Sentar com o dono, pôr número no adiamento e devolver a pauta de decisão com nome e data.

O ritmo aqui volta. O que muda é o assunto: caixa, sócios e sucessão, nas empresas de quem assina.

Uma pergunta para o fim de semana:

Qual é a decisão que todo mundo na sua empresa já sabe que você está adiando?

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13/10/2026

Sua empresa está pagando para receber o próprio dinheiro

Sua empresa está pagando para receber o próprio dinheiro se:

• o cliente paga com Pix na maquininha, e a maquininha fica com uma porcentagem;
• o boleto sai com QR Code de Pix, e a tarifa cobrada é a mesma do código de barras;
• o banco cobra para a empresa receber Pix, quando existem bancos que não cobram nada;
• alguém justificou tudo isso com "é por causa da integração com o sistema".

Faça uma conta simples, com números hipotéticos. Uma loja que recebe R$ 1 milhão por mês em Pix pela maquininha e paga 1% de taxa entrega R$ 10 mil por mês. São R$ 120 mil por ano saindo do caixa sem nenhum serviço novo em troca.

O número da sua empresa está no extrato do mês passado. Leva dez minutos: some as tarifas de recebimento e veja quanto delas incide sobre dinheiro que poderia chegar de graça.

A integração com o sistema é a desculpa que mais escuto. Hoje existem plataformas que integram sem custo. Quando a taxa continua, quase sempre é porque ninguém parou para olhar.

Se você fizer a conta e o número incomodar, me chama. Esse é o primeiro vazamento que eu procuro quando entro numa empresa com caixa apertado.

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11/10/2026

Reencontro com o varejo no Connect Talk

Comentário sobre o convite do Connect Executive Hub e da ESPM para o Connect Talk Transformação no Consumo.

Obrigado Silvana Pampu, e todos do Connect Executive Hub, por esse convite para ouvir sobre varejo, que é minha paixão. Afinal, depois de mais de 20 anos nele, você nunca se esquece da sua primeira loja e da sua despedida. Foi bom me reconectar com esse mercado do qual tanto participei e saber que estar do outro lado da operação hoje, apoiando empresas nessa jornada, também me orgulha muito.

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11/10/2026

A IA virou um problema de infraestrutura

Esta semana estive na Futurecom a convite da Lamerica Tech e do Jackie Chen. Obrigado pela confiança. Estar ao lado de quem constrói infraestrutura muda a qualidade das perguntas que a gente leva de volta para as empresas.

O que fica da feira para quem senta em conselho:

A conversa sobre inteligência artificial deixou de ser sobre software. Passou a ser sobre o que sustenta o software: conectividade, data centers, energia e segurança. A IA virou um problema de infraestrutura.

E infraestrutura tem uma característica que conselhos costumam subestimar: os prazos são longos, os contratos são longos e os erros também.

A pergunta para a próxima reunião não é "qual ferramenta de IA vamos adotar?". É "a nossa base aguenta a estratégia que estamos aprovando?".

Quem responder isso antes captura o ganho. Quem responder depois paga a adaptação.

A cobertura da TI Inside resume bem a agenda da edição: https://lnkd.in/d9C2Ah5S

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05/10/2026

Traduzir a proposta para o mandarim não muda o idioma em que você está negociando

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Traduzir a proposta para o mandarim não muda o idioma em que você está negociando.

Foram dez anos negociando com China e Coreia do Sul. O que fica não é o vocabulário. São camadas.

Guanxi, mianzi, hierarquia. Qualquer guia explica os três termos. Nenhum explica o que eles fazem com o preço, o prazo e a assinatura.

Um aceno na mesa pode querer dizer "entendi". Quem lê "aceito" descobre a diferença quando o contrato volta revisado. Nem sempre quem aprova o acordo é quem está à sua frente, e a concessão feita para preservar a face de alguém raramente aparece na ata como concessão. Aparece como cláusula.

Seul não é Xangai. Quem trata as duas mesas como "Ásia" já errou a primeira leitura.

Cultura não é etiqueta de reunião. É variável de negociação.

Também não serve de desculpa para pular a verificação do parceiro. Relação e diligência andam juntas, ou uma delas não anda.

Quem faz essa leitura ao lado da liderança não acompanha reunião. Diz o que foi concedido sem que ninguém percebesse.

No PDF estão os códigos que vale conhecer antes de sentar à mesa.

O que se pode ensinar está no PDF. O resto se lê na mesa.

Quem negocia sem essa leitura já pagou. Só ainda não recebeu a fatura.

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30/09/2026

"Vamos esperar passar a eleição"

"Vamos esperar passar a eleição."

É a frase mais comum em empresa de dono neste semestre. E parece prudência.

O primeiro turno é domingo. Se houver segundo, dia 25. Depois vem a posse, em janeiro. Depois o primeiro trimestre, para ver o que o novo governo faz. Quem decidiu esperar a eleição, na prática, decidiu esperar até março.

Enquanto isso, fica parado:
• o investimento que ninguém aprova;
• a renegociação com o banco que ficou para depois;
• a conversa entre sócios sobre quem entra, quem sai e quem decide;
• o filho pronto para assumir uma frente, que continua esperando.

Nenhuma dessas decisões depende de quem ganha no domingo. O resultado muda o preço do dinheiro e o humor do mercado. O problema da sua empresa continua com o mesmo nome em novembro.

Preparar-se para o que vem depois é separar duas listas: o que de fato depende do resultado, e o que a eleição está servindo de desculpa para não resolver. A segunda costuma ser a mais longa.

Qual decisão da sua empresa está esperando a eleição?

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16/09/2026

O Brasil aprovou a lei. Não decidiu o mapa

Comentário sobre o post de Einer Lima a respeito do Redata e da 3ª edição do GRI Data Center.

O Brasil aprovou a lei. Não decidiu o mapa.

O Redata foi sancionado em 15 de setembro. É um marco real, e não vou diminuir isso. Pela primeira vez o país tratou infraestrutura digital como questão estratégica, e não como despesa.

Mas leia o que a lei faz. Ela barateia o equipamento.

Equipamento é a parte mais fácil do problema.

O que ficou aberto é maior do que o que foi resolvido. A definição de qual energia vale ficou para regulamento, ainda não publicado. A lista de equipamentos que entram no benefício não existe. O imposto que mais pesa sobre esse tipo de investimento é estadual, e ele não foi tocado: segue travado entre os estados, dentro de um tributo que a reforma vai extinguir. E a maior parte do benefício federal vale até 31 de dezembro deste ano, apesar do prazo de cinco anos que a manchete anunciou.

Nada disso é o ponto principal.

O ponto principal é que quase ninguém está discutindo onde.

Data center não é prédio. É energia, água, terra, conectividade e licença, na mesma coordenada, por vinte anos. Quando uma empresa aprova bilhões e só depois começa a perguntar de onde vem a energia, isso não é ousadia. É decisão tomada fora de ordem.

A pergunta não é quanto custa construir. É onde o projeto ainda faz sentido no ano dez.

Quando se aplica critério, e não preferência, o mapa do Brasil muda de forma. Onde o recurso energético é abundante e comprovado. Onde a terra não disputa com produção de alimento. Onde a água do projeto não disputa com a água da população. Onde a conexão internacional já chega em vez de precisar ser construída. Onde a formação técnica está sendo criada dentro do território, e não importada de fora. E onde o licenciamento tem régua escrita, para o investidor saber a que prazo está submetido antes de assinar o cheque.

O Ceará atende a esses critérios. Não por ser o meu estado. Por ser o único que já escreveu a régua: aprovou em julho a primeira lei estadual do país específica para data centers e armazenamento de energia, com licenciamento escalonado por porte e rito completo mantido para os projetos grandes.

Isso não torna o estado imune a erro. Projetos lá já mostraram o que acontece quando se pula a conversa com quem vive no território, e o custo disso aparece em processo, não em planilha. A diferença é que o Ceará respondeu ao erro com norma.

A lei federal deu ao país um regime tributário. Não deu um critério de localização. E enquanto o critério não existe, o capital está sendo alocado por inércia. Inércia em ativo de vinte anos não se corrige com incentivo fiscal.

Disclaimer: atuo nos setores.

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11/09/2026

Seu conselho tem voto para crescer. Não tem voto para encolher

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Seu conselho tem voto para crescer. Não tem voto para encolher.

Toda pauta de crescimento tem rito. Retração não tem, e acontece sem ata.

Tomei uma decisão dessas em 2024. Não digo em que empresa.

O mecanismo se repete. A mesa aprova o crescimento por unanimidade. Depois vem o sinal contrário: inadimplência subindo, caixa esticado, dívida vencendo antes da receita entrar. Ninguém propõe encolher, porque é assinar embaixo de um número menor num país que só sabe perguntar quanto vai crescer. Aí alguém age. Se der certo, o resultado é do conselho. Se der errado, o nome é de quem agiu.

A mesa não rejeitou a retração. Ela nunca teve onde votar isso.

Mesa que só delibera crescimento entrega a decisão mais cara da empresa para uma pessoa só.

Agir sozinho manteve a empresa viva e não corrigiu nada. O rito continuou sem existir, e o próximo que enxergar antes faz a mesma conta que eu fiz: propor custa o nome, agir custa o nome, calar não custa nada.

Retração nunca entra em pauta sozinha. Entra quando o caixa obriga, e aí ninguém escolhe o tamanho.

Na próxima reunião, pergunte qual gatilho obriga a mesa a discutir encolher. Sem resposta, a decisão está delegada a quem agir sozinho, e a fatura vai no nome dele.

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Algum desses posts descreveu a sua empresa?