Medo de Errar ou Medo de Renunciar Algo?

Bernardo Bardawil · 3 min de leitura

Esse tema foi levantado por um amigo meu, Gustavo Carriconde, e ele não sabia o quão profundo ele realmente é na minha vida. Eu disse que um dia escreveria sobre isso, mas o assunto mexeu comigo mais do que ele imaginava. Então, decidi trazer essa reflexão para vocês.

Qualquer um que olhar a minha trajetória verá que passei 21 anos na mesma empresa, sempre crescendo, assumindo novos desafios. Mas poucos sabem que, um dia, abandonei toda essa segurança para começar do zero. Era jovem, tinha 40 anos. Hoje tenho 44. Não faz tanto tempo assim.

O que ninguém vê é que essa foi uma escolha sem volta. Além de renunciar a uma trajetória consolidada, mudei de cidade, de Fortaleza para São Paulo, no meio de uma pandemia. Ou seja, sem nenhuma perspectiva à vista, em um cenário hostil. Mas não estou aqui para falar de vitimismo, meu histórico prova que nunca tive motivos para isso.

Agora, vamos ao ponto central: quando tomei essa decisão, o que mais pesava na minha mente? O medo de errar ou a renúncia da minha segurança?

O Medo Não é o Vilão

Medo é uma força estranha. Ele pode te paralisar ou te alertar para não cometer erros. Sempre fui fã de Fórmula 1, e todo grande piloto entende isso. Senna dizia que no dia em que ele perdesse o medo, seria o dia de parar. Porque o medo o mantinha na linha.

Então, já sabemos que o problema não está no medo em si, mas na forma como lidamos com ele. A grande questão é: você teme errar ou teme renunciar algo?

O Verdadeiro Peso da Renúncia

Nas mentorias que faço, percebo que as pessoas não travam apenas pelo medo de errar. O que realmente as impede de avançar são as consequências desse erro. Se você tem mais de 40 anos, cresceu numa época em que os erros tinham consequências severas. Escreveu uma palavra errada? Refaça toda a página. Meu sobrinho hoje nunca passou por isso. O corretor do celular faz o trabalho para ele. Se ele errar algo no iPhone do pai, basta reinstalar o sistema.

O verdadeiro dilema está na renúncia. Cada decisão tem um preço. Muitas vezes, significa renunciar a um legado, a uma posição, ao dinheiro, ao próprio ego. E esse é o verdadeiro custo da decisão que muitas vezes não queremos encarar.

Nem sempre o preço é grande demais. Mas ele sempre será proporcional ao tamanho da sua escolha. E aí entra o medo de errar: podemos perder tudo ou, pior ainda, perder o que nos é mais importante. E nem sempre, ou melhor, na maioria das vezes, isso não tem nada a ver com dinheiro.

Renunciar significa abrir mão da estabilidade, aceitar que talvez você não seja mais tão capaz quanto imaginava, perder credibilidade, conforto, segurança. E isso é difícil. É por isso que, muitas vezes, evitar uma decisão se torna sinônimo de evitar a renúncia.

Então, o Que Fazer?

Quando chegamos a esse ponto, o medo volta à cena. Mas agora ele tem dois caminhos: te paralisar ou te tornar mais atento aos detalhes. Você pode usá-lo para ser mais estratégico, mais minucioso, mais preparado para tomar uma decisão consciente.

A pergunta que fica é: você vai aceitar a segurança e renunciar ao seu sonho, ou vai estudar e se preparar ao máximo para reduzir as chances de erro?

Hoje, moro em São Paulo, sem nenhuma ligação com meu antigo emprego. Estou construindo minha história. E você? Qual história vai querer contar?