Como me superei e superei meus medos

Bernardo Bardawil · 2 min de leitura

Durante 21 anos, construí uma carreira segura, trabalhando no mesmo local, com um plano de sucessão bem definido e um salário confortável para a minha realidade. Aos 38 anos, minha vida parecia estar definida, com um cargo relevante que me proporcionava status e acessos antes inimagináveis. Nesse contexto, não havia necessidade de me expor, de falar em público, de palestrar ou de buscar relevância nas redes sociais. Eu já era relevante no meu universo.

Porém, a pandemia, ou a famosa crise dos 40, trouxe uma reviravolta inesperada. Tomei uma decisão radical: abandonar minha vida confortável e recomeçar do zero. Aos 44 anos, me deparei com um mundo assustador. De repente, eu não era mais relevante, não tinha mais poder ou segurança e, o mais difícil de tudo, passei a ser constantemente avaliado.

A realidade bateu à porta: eu precisava me expor para recomeçar. Vieram as entrevistas, uma tortura psicológica em que seu futuro é analisado em poucos minutos sob intensa pressão. Depois, o networking, entrar em ambientes não para pedir algo, mas para mostrar quem sou e o que sei. E, por fim, a compreensão de que o mercado é uma bolha onde entrar é só o primeiro passo.

Diante disso, percebi que precisava mudar minha abordagem. Sempre fui um leitor ávido, mas minha paixão estava na ficção, não em livros técnicos. Mesmo assim, assumi o protagonismo da minha história. Decidi sair ainda mais da minha zona de conforto, abraçando o mantra: “Sinta-se confortável no desconforto”. Comecei a dizer sim para tudo que antes dizia não.

Quer palestrar? Antes, não. Agora, sim.

Quer aparecer nas redes sociais? Antes, não. Agora, sim.

Quer escrever? Antes, não. Agora, sim, mesmo sendo disléxico e enfrentando dificuldades com a organização das ideias.

Foi então que a inteligência artificial entrou em cena, ajudando-me a estruturar meus textos com clareza. Hoje, tenho artigos e textos que agregam valor. Ainda não sou o Cortella, mas chego lá.

Resumindo o que aprendi nesta jornada: o aprendizado contínuo é obrigatório. Devemos nos sentir confortáveis no desconforto e aprender a dizer sim para novas oportunidades. É fundamental ter clareza nos objetivos e entregar valor real, evitando fazer por fazer. Desafie-se, cresça diariamente e nunca pare de aprender. A vida não vai aliviar.

Se você me acompanha, sabe que a minha mensagem é sempre a mesma: prepare-se e não pare de aprender. Esse é o segredo.