Vivi os dois lados dessa mesa







Vivi os dois lados dessa mesa. Fui o filho que pediu espaço. Hoje sou o terceiro que senta no meio.
E o que aprendi observando famílias empresárias é desconfortável: a briga pela divisão de poder quase nunca nasce do ego. Nasce de algo pior, porque é invisível: falta um tradutor.
O filho não quer o lugar do pai. O pai não quer perder o que criou. Os dois querem coisas compatíveis e brigam mesmo assim, porque falam línguas diferentes: um fala de futuro, o outro fala de história.
Sem essa ponte, a estrutura que falta é sempre a mesma:
• Ninguém define o que está sendo negociado: poder ou autonomia. Sem isso, todo pedido soa como ameaça.
• Ninguém separa a pauta da empresa da pauta da família. A mágoa entra na reunião com direito a voto.
• Ninguém registra o que foi combinado. E o combinado que não existe é renegociado a cada domingo.
Um conselho bem montado, ou um advisor que conhece essa dinâmica, não decide pela família. Leva cada um até o ponto que precisa e não sabe chegar sozinho.
O custo de adiar essa conversa não aparece na DRE. Aparece no médio prazo: na decisão travada, no talento da família que vai embora, no negócio que fica menor que o sobrenome.
Se essa conversa está adiada na sua empresa, o custo já começou. A ponte se constrói antes da próxima reunião, não depois da próxima briga. Me chama.
Publicado também no LinkedIn, onde a conversa continua nos comentários.
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