A sala onde todo mundo concorda e nada é decidido

Bernardo Bardawil · 31/07/2026

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Você já esteve na sala onde todo mundo concorda e nada é decidido.

Numa operação de pneus, eu segurava o leme com vários donos na mesa. Cada um tinha uma opinião diferente. O único ponto em comum era que ninguém queria brigar.

Então a posição nunca fechava. Ficava aberta até o prazo chegar.

E quando chegava, eu decidia com o que tinha na mão. Nunca com o que precisava ter.

Aquilo não era falta de informação. Empresa com muitos donos e sem foro de decisão tem Corporate Governance no organograma, não na prática, e o preço sai do caixa em forma de decisão tardia.

Harmonia entre sócios não é sinal de saúde. É o ativo mais caro que uma empresa carrega quando substitui deliberação.

• Decisão em cima da hora não escolhe a melhor opção. Escolhe a que ainda está disponível.
• O prazo externo passa a definir a agenda, e prazo externo não negocia preço.
• Quem evita o atrito hoje transfere o custo para o caixa de amanhã, e ninguém assina esse repasse.

O que a sala chama de consenso aparece três meses depois, no preço que você aceitou por falta de alternativa.

Olhe a próxima decisão da sua mesa e responda duas coisas: quem assina e o que acontece se ele errar. Sem nome e sem consequência, não existe dono. Existe prazo.

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