Toda empresa de dono será familiar um dia

Bernardo Bardawil · 07/07/2026

Comentário sobre a matéria do Valor Econômico "Empresa familiar precisa de coração quente e cabeça fria", compartilhada por Daniel Faria.

Daniel Faria, esse tema mexe comigo. Vim de uma empresa familiar com uma rota quase idêntica à descrita no artigo. A trajetória da Patricia Gomes Cardim é quase um copia e cola da minha, só que no automotivo, não no educacional.

Mas o ponto não é a coincidência. É o padrão. Na maioria das empresas familiares, o filho entra sem espaço definido, percorre a empresa inteira como quem procura onde se encaixar, e de repente precisa assumir a operação. A sucessão não é planejada: é imposta pela necessidade.

Hoje me dedico a mudar esse cenário. Toda empresa de dono será familiar um dia. O que trava a transição não é falta de talento do sucessor: é o medo, a ausência de método e o desconforto do fundador em ter alguém perto o suficiente para um dia ocupar o lugar dele.

O Brasil é majoritariamente feito de empresas familiares, e quase todas contam a mesma história. O papel aqui não é só contar a própria: é tornar essa transição natural e, mais que isso, proposital, para que o sucessor esteja pronto antes do gatilho, não depois.

Faço disso uma jornada de vida como Conselheiro. Mas o processo só existe quando o fundador está aberto a construí-lo. Com essa abertura, a empresa flui sem dores. Sem ela, nenhum método resolve.

Publicado também no LinkedIn, onde a conversa continua nos comentários.