Tem uma planilha na sua empresa que sabe mais que o seu sistema. Todo mundo sabe de quem ela é

Bernardo Bardawil · 10/08/2026

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Tem uma planilha na sua empresa que sabe mais que o seu sistema. Todo mundo sabe de quem ela é.

Ninguém mantém a pessoa errada por afeto. Mantém porque ela foi decisiva na fase anterior e ninguém quer ser quem fecha essa conta.

Em 2022 eu troquei três pessoas na operação de energia. Uma ocupava cargo de confiança e rodava a área em planilha, não no ERP. Não era incompetência: era o método que funcionou quando a empresa era menor e que ninguém pediu para ele largar. A informação existia, mas só existia quando a pessoa estava disponível. Eu sabia disso antes de agir. Segurei seis meses depois de saber, e não tenho defesa boa para esses seis meses.

O problema nunca foi a planilha.

Lealdade não é virtude na decisão sobre pessoas. Cargo de confiança é a licença que a estrutura dá para alguém não ser cobrado como os outros.

Quando a informação mora numa pessoa, o caixa passa a depender da agenda dela. A empresa perde a capacidade de auditar a própria operação e chama isso de agilidade. Corporate Governance chega tarde nesses casos, e chega caro: a conta aparece na hora de captar, vender ou dividir.

A cadeira vai ser trocada de um jeito ou de outro.

Quanto mais tarde, menos legado sobra para comemorar.

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