Tem uma planilha na sua empresa que sabe mais que o seu sistema. Todo mundo sabe de quem ela é








Tem uma planilha na sua empresa que sabe mais que o seu sistema. Todo mundo sabe de quem ela é.
Ninguém mantém a pessoa errada por afeto. Mantém porque ela foi decisiva na fase anterior e ninguém quer ser quem fecha essa conta.
Em 2022 eu troquei três pessoas na operação de energia. Uma ocupava cargo de confiança e rodava a área em planilha, não no ERP. Não era incompetência: era o método que funcionou quando a empresa era menor e que ninguém pediu para ele largar. A informação existia, mas só existia quando a pessoa estava disponível. Eu sabia disso antes de agir. Segurei seis meses depois de saber, e não tenho defesa boa para esses seis meses.
O problema nunca foi a planilha.
Lealdade não é virtude na decisão sobre pessoas. Cargo de confiança é a licença que a estrutura dá para alguém não ser cobrado como os outros.
Quando a informação mora numa pessoa, o caixa passa a depender da agenda dela. A empresa perde a capacidade de auditar a própria operação e chama isso de agilidade. Corporate Governance chega tarde nesses casos, e chega caro: a conta aparece na hora de captar, vender ou dividir.
A cadeira vai ser trocada de um jeito ou de outro.
Quanto mais tarde, menos legado sobra para comemorar.
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