Sucessão não começa em quem vai assumir a cadeira

Bernardo Bardawil · 03/08/2026

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Você já viu um plano de sucessão perfeito no papel não sobreviver à sala do dono.

Quando o dono diz que o sucessor não está pronto, ele está descrevendo a si mesmo.

2007, distribuidora de pneus. O dono adoeceu e os médicos trataram o caso como terminal. Semanas depois o diagnóstico caiu por terra. Recuperado, ele foi convencido a contratar uma consultoria de sucessão.

A consultoria executou a cartilha sem errar uma linha. Mapeou a família, definiu o sucessor, distribuiu as áreas entre os filhos e reservou a ele a presidência do conselho.

Nenhum desenho de Corporate Governance sobrevive à ausência de quem ainda assina as decisões: o organograma muda, o poder fica onde sempre esteve.

Apresentaram a aposentadoria dele pronta, em slide. Ninguém tinha sentado com ele antes.

Ele pagou todos os meses de contrato que faltavam, sem pedir desconto, e deu cinco minutos para saírem da sala.

Sucessão não começa em quem vai assumir a cadeira. Começa em quem vai deixá-la.

• Plano fechado sem o dono trava na primeira decisão que contraria a vontade dele.
• Sucessor com cargo e sem mandato ensina o time a continuar perguntando ao pai.
• A conta é paga inteira, o contrato encerra em meses e o comando permanece onde sempre esteve.

O dono pode estar pagando pelo processo sem estar de acordo com ele.

Enquanto a conversa não começar por ele, a sucessão continua sendo decidida. Só que pela doença, pelo calendário ou pelo inventário.

Publicado também no LinkedIn, onde a conversa continua nos comentários.