"Se eu sou tão incompetente assim, olha aí o tamanho da minha incompetência"











"Se eu sou tão incompetente assim, olha aí o tamanho da minha incompetência."
O dono da distribuidora dizia isso apontando para duzentos mil pneus em estoque. Era o jeito educado de mandar calar a boca.
Depois ouvi a mesma frase em outras empresas. Um dono de granja mandava vender as cinquenta fazendas inúteis dele.
Anos depois vi como essas histórias terminaram. O da granja montou a sucessão inteira e não participou de nenhuma etapa. Outro contratou um conselheiro externo, disse que resolvessem, que ficaria na cadeira dele, e viajou para a Europa.
Nenhum dos dois se recusou a fazer sucessão. Os dois pagaram por ela. Os dois saíram da sala.
É a leitura que eu faço em toda mesa desde então: quando o patrimônio vira resposta para qualquer questionamento, o dono deixa de ser avaliado dentro da própria empresa. E quem não é avaliado não transfere comando.
Terceirizar a sucessão é a forma mais cara de não decidi-la. A Corporate Governance no papel não vira autoridade real: o sucessor recebe cargo sem mandato e o time continua consultando o fundador. Aí não é sucessão, é inventário, e o custo aparece no controle acionário.
O estoque que prova a competência de ontem é o mesmo que impede a decisão de hoje.
Se o dono não estiver na sala, alguém decide por ele. O banco, o comprador ou o inventário.
Se você não lembra da última vez que mudou de ideia dentro da própria empresa, a data da sua sucessão já existe. Só não foi você quem marcou.
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Post anteriorBom post. Falta a variável que decide