O conselho não decidiu. Esperou até não precisar decidir

Bernardo Bardawil · 08/09/2026

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O conselho não decidiu. Esperou até não precisar decidir.

Você já votou no conselho uma proibição sobre algo que já estava rodando na empresa.

A mesa raramente decide tecnologia. Espera até não precisar decidir.

Julho de 2024. Quinze a vinte pessoas, sócios e conselheiros na mesma mesa. A referência era a Samsung: engenheiros subiram código interno no ChatGPT em abril de 2023 e a empresa proibiu IA generativa em maio. Três pessoas fecharam o bloqueio, as três de multinacional. A ferramenta já rodava lá dentro, em conta pessoal, sem auditoria.

No primeiro semestre de 2025 propus a saída feia: senha única, compartilhada, tudo auditável. Má prática de segurança, e a única coisa que expôs o tamanho real do uso.

O que mudou o conselho veio de fora: versão corporativa, ambiente fechado, área de time. Em 2024 era brinquedo. Hoje é máquina.

O conselho não mudou de ideia. O risco foi resolvido por outro.

Uso bloqueado não vira uso zero, vira uso sem registro. Quem entra depois que o fornecedor resolveu o risco chega junto com todo mundo, e junto é média. Dois trimestres parado, quase um ano até reabrir, dois anos até usar com força o que já estava na mão.

Mesa que só assina depois que o risco sumiu está esperando permissão. E permissão chega para todos no mesmo dia.

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