Bom post. Falta a variável que decide

Bernardo Bardawil · 06/08/2026

Comentário sobre o post de Tiago Henrique a respeito da ENEOS, maior refinaria do Japão, que montou em Yokohama uma planta capaz de produzir combustível líquido a partir de água e CO₂, e depois pausou o projeto pelo custo do hidrogênio limpo.

Bom post. Falta a variável que decide.

A planta de Yokohama produz cerca de um barril por dia. 159 litros. O plano era 300 barris/dia em 2028 e 10.000 em 2040. A ENEOS não construiu a planta piloto e comunicou o encerramento do projeto dentro do fundo GI em março de 2027.

Fischer-Tropsch é de 1925. A Alemanha rodou guerra com isso. A África do Sul rodou embargo com isso. Ninguém precisava provar que hidrogênio e carbono viram hidrocarboneto líquido. O que a ENEOS testou foi a cadeia integrada: captura direta de ar, eletrólise com energia limpa, síntese FT, refino. Engenharia de integração. Não descoberta.

Passei mais de 25 anos em operação. Comecei na ponta da cadeia de combustível, no varejo automotivo, e migrei para energia por decisão, não por acaso. Montei operação em 18 estados. Hoje sou Diretor da Linus Green Energy, que gera energia, e a conta que a ENEOS fez é a mesma que faço aqui toda semana.

Aqui o insumo é hidrogênio verde. Enquanto custar o que custa, e-fuel não compete com nada. Não é questão de tempo. É questão de curva.

E antes que alguém ache que isso é problema japonês: no Brasil a gente parou de crescer pela mesma natureza de conta. Não por falta de sol, não por falta de demanda, não por falta de tecnologia. Por custo de fio e encargos de transmissão que o país empilhou em cima da geração. O projeto continua funcionando. Só deixou de fechar.

Segurei expansão porque a linha não fecha. Quando essa conta reequilibrar, retomo no dia seguinte. Tenho a operação pronta esperando o número, não esperando a tecnologia.

Já vi conselho aprovar projeto porque funciona. Funcionar é o piso. A pergunta é a que preço, com que CAPEX, em qual horizonte, e quem banca o intervalo. A ENEOS fez essa conta e mudou de direção antes de queimar a piloto. Isso é disciplina, não recuo.

Quem não olhou para essa linha cresceu bonito por dois anos e hoje está pedindo ajuda para não fechar.

Custo não cai sozinho com o tempo. Cai porque alguém decide bancar escala antes de existir retorno. A ENEOS olhou o próprio balanço e disse não. Tem gente aqui que olhou o próprio balanço e não disse nada.

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