Discordar do dono é a parte fácil. O difícil vem depois

Bernardo Bardawil · 02/09/2026

imagem 1/11imagem 2/11imagem 3/11imagem 4/11imagem 5/11imagem 6/11imagem 7/11imagem 8/11imagem 9/11imagem 10/11imagem 11/11
1 / 11

Discordar do dono é a parte fácil. O difícil vem depois.

Começo de 2016. Ele voltou de uma reunião num shopping de luxo apaixonado por um projeto de oficina que eu não queria fazer. Eu conhecia o sistema: ele se encantava, mandava executar, e a conta chegava em mim. Falei não vou fazer, nem vá a essa reunião. Dono é dono. Voltou do jeito que eu temia, e eu, em protesto, disse que se queria tanto aquele sonho, que o realizasse sozinho. Aí ele usou minha curiosidade contra mim: aceito, desde que prove que não vai dar certo.

Seis meses com sindicato, prefeitura, arquiteto, engenheiro e jurídico juntos, mais neurociência e comportamento de shopping. A loja abriu faturando como unidade de rua, com metade do custo fixo. A pandemia parou a expansão em três lojas, e os shoppings já me chamavam de âncora.

Eu não provei que não dava certo. Provei que dava, e a prova ficou no meu nome.

Prove que não vai dar certo é a jogada mais elegante que um dono tem para transferir risco.

Se der errado, a culpa já tem nome. Se der certo, a ideia continua sendo de quem só teve a ideia. E o executivo aprende a discordar menos da próxima vez.

De um não firme a um sim apaixonado. Até hoje não sei se ganhei aquela discussão ou perdi de um jeito mais caro.

Publicado também no LinkedIn, onde a conversa continua nos comentários.