O empreendedor e os fundamentos do próprio negócio
Existe um prejuízo que não aparece no caixa: o que vem do que você não sabe que está perdendo. E ele nasce sempre no mesmo lugar, na área que o dono decidiu não entender.
Empreender é assumir várias cabeças ao mesmo tempo: vendas, finanças, operação, jurídico, fornecedor, banco. Ninguém domina todas com profundidade técnica, e nem precisa. Mas quem não entende o mínimo de cada uma não está delegando, está cego. E cego não decide, obedece. Obedece ao contador, ao gerente, ao sistema, ao que o fornecedor diz que é o normal.
A conta corre por baixo. Você instala o primeiro meio de pagamento que aparece e paga 5% onde dava para pagar 2%, e a diferença come seu lucro todo mês sem você olhar. Escolhe o regime tributário errado no começo e paga imposto a mais por anos. Compra mal porque não negociou, vende com margem curta e fica sem fôlego sem entender de onde sumiu o dinheiro. Nada disso explode. Tudo isso vaza devagar, e some no resultado como se fosse o mercado, quando era a sua falta de domínio.
Operei sabendo ler cada pilar do negócio, e a diferença não foi fazer tudo sozinho. Foi saber se eu estava sendo bem orientado ou enrolado. Quem sabe ler a própria DRE enxerga onde ganha, onde perde e onde dá para crescer. Quem não sabe entrega essa leitura a um terceiro, e reza para que ele seja honesto e competente ao mesmo tempo.
Não se trata de virar especialista em tudo. Trata-se de nunca ser refém de ninguém dentro da própria empresa. Quem não domina os fundamentos do próprio negócio é governado pelas falhas que não consegue ver, e ainda chama isso de azar.